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Criacionismo: A arte de distorcer publicações científicas – Parte II – Retardatários azuis

Como eu disse no artigo anterior, esta sequência de textos tem como objetivo esclarecer os equívocos cometidos pelo criacionista Jónatas Machado em uma discussão que eu tive com ele no blog Que Treta!.

Ele me disse que «Quase todos os dias estrelas jovens aparecem onde os modelos de evolução cósmica dizem que não deveriam estar»(1) e isso, segundo ele, serve como prova  contra o FATO de que já existiam estrelas no Universo antes da formação do Sol.

O site que o Jónatas Machado usa como fonte é do Institute for Creation Research [ICR]. Estes sites sempre distorcem os artigos científicos para darem crédito a sua agenda religiosa, como eu pretendo mostrar abaixo.

Logo na segunda frase, o artigo do ICR já faz uma afirmação desonesta: «Estrelas azuis não deveriam existir em um Universo que tem 13,7 bilhões de anos, porque elas devem ter queimado bilhões de anos atrás»  Se todas as estrelas tivessem sido formadas ao mesmo instante no princípio do Universo,isso estaria correto, porem isso não é verdade. Estrelas “nascem” e “morrem” a todo tempo.(3)

Estrelas geralmente são formadas com uma quantidade definida de gases, sendo a maior parte destes gases o hidrogênio.  No núcleo da estrela como o nosso Sol, cerca de 10% do interior atinge temperatura e pressão altas o suficiente para que ocorra a fusão nuclear, sendo esta a responsável pela energia da estrela. A reação nuclear gera força suficiente para manter a estrela em equilíbrio em relação a pressão exercida pela gravidade,evitando desta forma que ela entre em colapso. Em estrelas pequenas, há menos força da gravidade, desta forma as pressões e as temperaturas são mais baixas então a fusão nuclear ocorre mais lentamente.  Em grandes estrelas,  as pressões e as temperaturas são mais altas,  logo a fusão nuclear ocorre em um ritmo muito mais rápido. Isso significa que estrelas do tipo anãs vermelhas, que são significativamente mais leves que o Sol, serão capazes de fundir o hidrogênio por 10 trilhões de anos, enquanto que o nosso Sol, uma estrela do tipo anã amarela, tem uma vida útil estimada em 10 bilhões de anos. Estrelas supergigantes azuis, com massa cerca de 50 vezes a massa do nosso Sol, tem a sua vida estimada em 10 milhões de anos.

Em aglomerados globulares, agrupamentos de muitas centenas de milhares a milhões de estrelas, falta material interestelar para a formação de novas estrelas. É sabido que os aglomerados que rodeiam a nossa galáxia são muito antigos, da ordem de 10 bilhões de anos.

Alguns aglomerados(4) contem algumas estrelas supergigantes azuis conhecidas como retardatários azuis. A princípio não deveriam existir estrelas jovens como esta em um aglomerado de estrelas velhas.

A conclusão do artigo do ICR é que como não existem explicações razoáveis para a origem natural dos retardatários azuis, então faz mais sentido o Universo ter apenas alguns milhares de anos, como esta escrito na Bíblia.

Na verdade, o artigo apela para a costumeira falácia do apelo a ignorância. Nós não sabemos como se formam estas estrelas então devem ter sido criadas por Deus. O artigo para fazer sentido deve concordar que existem estrelas muito velhas em aglomerados, da ordem de bilhões de anos, e isso por si só, já refuta automaticamente a idade jovem do Universo.

A ciência não tem todas as respostas prontas. A história da ciência nos mostra que quando não sabemos explicar um evento, o melhor é arregaçar as mangas e investigar até chegar a uma resposta. É assim que o conhecimento avança. Acreditar que Deus fez não explica absolutamente nada.

Existem algumas hipóteses(5) candidatas a explicarem a formação de retardatários azuis, a mais promissora, diz que uma estrela rouba material de outra estrela, transfomando-se em uma gigante azul.

Fontes

1 –Comentários no Que Treta!
2 – Institute for Creation Research – Young Blue Stars Found in Milky Way
3 – Inovação Tecnológica – Telescópio Herschel captura nascimento de estrelas
4 – Nasa Hubble WebSite – NASA’s Hubble Finds Rare ‘Blue Straggler’ Stars in Milky Way’s Hub
5 – solstation.com – Blue Stragglers

Texto baseado no blog Exposing PseudoAstronomy

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