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Criacionismo: A arte de distorcer publicações científicas – Parte III – Galáxias sem protuberância

O Brian Thomas(1) do Institute for Creation Research, escreveu um artigo intitulado: «Descontroladamente inesperado. Galáxias desafiam simples explicações naturalistas», demonstrando e muito bem como o criacionismo de científico não tem nada.

O autor já erra logo no título. Dificilmente as explicações naturalistas em Astronomia são simples. Se alguém tem alguma dúvida, basta abrir as publicações científicas e verificar como é complexo a Física e Matemática, bem como os equipamentos envolvidos nos trabalhos. Simples mesmo é evitar todo este trabalho duro de investigação e concluir apressadamente “Foi Deus quem fez”, como faz o Brian Thomas.

A idéia principal do artigo é mostrar como as teorias sobre a formação de galáxias não se encaixam perfeitamente com as observações. Resumidamente, acredita-se que galáxias espirais, como a nossa, adquirem protuberância, que é uma alta concentração de estrelas  no centro da espiral, devido ao canibalismo de outras galáxias. Entretanto, algumas galáxias não tem esta protuberância(2) e esta razão ainda é desconhecida.

O Brian Thomas faz uma citação do John Kormendy, astrônomo da Universidade do Texas, em um artigo da New Scientist(3): «Nós não sabemos como prevenir a formação da saliência quando as galáxias crescem muito via fusões».  Como de costume, ele só cita as partes que lhe interessa, e esta frase permite encaixar perfeitamente o seu deus das lacunas.  Podemos ainda não explicar hoje, mas apostar que no futuro a ciência não conseguirá, é uma aposta que tende ao fracasso. A história da ciência nos mostra que quanto mais avançamos, menos dependemos do sobrenatural. Infelizmente, os criacionistas nunca aprendem esta lição.

Seguindo o texto, ele faz uma afirmação bombástica: [Em tradução livre] «Parte do modelo padrão é que no início, pequenas proto-galáxias colidiram com outras e se tornaram as galáxias maciças de hoje. A conjectura carece de verificação observacional». Das duas uma: Ou o Brian Thomas não entende nada de astronomia ou ele mente descaradamente em prol da sua agenda religiosa.  Pode ser ainda um misto das duas respostas.

Nós já observamos diversas colisões galáticas no Universo, conforme podemos ver nesta série de fotos do Hubble(4).

Este artigo teve origem a partir de uma discussão(5) com o criacionista Jónatas Machado, aka perspectiva, onde ele afirmava categoricamente que as observações não contradizem a Bíblia. Eu devo agradecer a ele pela quantidade de links e pela oportunidade de entender melhor o criacionismo. É uma pena que o Jónatas não tenha ele estudado ele mesmo as fontes, pois as galáxias que tem as protuberâncias são bem explicados pela teoria atual e as colisões galáticas levam milhões de anos, refutando o seu criacionismo da Terra Jovem.

Finalizo este artigo com uma bela simulação de colisão entre a nossa Via Láctea e a galáxia de Andrômeda, do Universe Sandbox(6).

Fontes:

1 – Institute for Creation Research – Wildly Unexpected’ Galaxies Defy Simple Naturalistic Explanations
2 – Universe Today – The Case of the Missing Bulges
3 – New Scientist – Slim and beautiful: Galaxies too good to be true
3- Como o artigo da New Scientist requer assinatura, encontrei o artigo no site da University of California
4 – Hubble Web Site – Cosmic Collisions Galore
5 –  Comentários no Que Treta!
6 – Universe Sandbox – Interactive Astronomy Software for Everyone

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